As variações climáticas e sazonais determinam fitofisionomias e a disponibilidade de recursos alimentares, afetando direta e indiretamente a abundância e composição de presas e de felinos. A Floresta Ombrófila Mista (FOM) é caracterizada por maior sazonalidade climática (Cfb) em relação à Floresta Ombrófila Densa (FOD), ecossistemas propícios para avaliar as interações entre felinos. Nossa hipótese é que devido à maior abundância de presas de maior porte em florestas abertas (FOM) em relação à florestas fechadas (FOD) felinos de maior porte são proporcionalmente mais frequentes que Leopardus guttulus. Entre 2005 e 2022 foram analisadas 17 áreas na região austral da Mata Atlântica através de armadilhas-fotográficas e obtidos registros independentes diários de felinos de pequeno (Leopardus guttulus, n = 238), médio (Leopardus pardalis, n = 336) e grande porte (Puma concolor, n = 342). Testamos a proporção de registros inter- e intraespecíficos de felinos por estação do ano e fitofisionomia utilizando o teste para várias proporções (PW combinado). Diferentemente do esperado, para os felinos de maior porte, tanto individualmente quanto agrupados, verificou-se uma tendência descendente significativa (p<0,01) em direção ao inverno em ambas fitofisionomias. Enquanto para L. guttulus a tendência foi ascendente e significativa em FOM (p<0,01). Ambientes abertos e sazonalmente estressantes (e.g. FOM) tendem a ter menor diversidade de pequenos mamíferos, mas durante o inverno este padrão é contrabalanceado pela produção de pinhão (Araucaria angustifolia) que geralmente eleva a dominância e abundância de presas de pequeno porte, proporcionando um efeito cascata nas populações de pequenos felinos. Essas oscilações assincrônicas sugerem que, para L. guttulus, há uma maior disponibilidade temporal e vulnerabilidade de presas em relação a ambientes fechados (FOD). Estes resultados mostram que, ao estudar interações entre felinos, é fundamental considerar as características espaço-temporais que conduzem a pulsos sazonais de recursos e determinam os padrões de abundância dentro das teias tróficas.
O objetivo deste trabalho foi de avaliar o uso de funções de pedotransferência (FPTs) disponíveis na literatura para estimar a densidade do solo (DS) usando diferentes atributos do solo determinados na área de estudo. Um total de 260 amostras de solos foram coletas em parcelas amostrais em seis profundidades: 0-5 cm; 5-10 cm;10-15 cm; 15-30 cm; 30-60 cm e 60-100 cm. Foram avaliadas oito FPTs para estimativa da DS.